As doenças do cigarro

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o número de mortes pode chegar a oito milhões por ano até 2030

 

Todos sabem que fumar não faz bem para saúde. O cigarro possui quase cinco mil substâncias tóxicas, dessas, 60 são cancerígenas.  A mais conhecida entre essas substâncias é a nicotina, que está entre as que mais fazem mal ao organismo, além de ser a principal responsável pelo vício. Por se tratar de uma droga lícita, as pessoas conseguem comprar cigarros e fumar em diversos ambientes sem maiores problemas.

 

Segundo estudo divulgado, no último dia 10 de janeiro, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. O número de mortes relacionadas ao tabaco deve saltar de 6 para 8 milhões até 2030, desse total, estima-se que 80% ocorram em países de baixa e média renda. Ainda segundo a pesquisa o número total de fumantes em todo o mundo vem aumentando.  Para o Dr. Aier Adriano Costa, coordenador da equipe médica do Docway, o grande problema é que nem todos nem todos sabem que o cigarro pode desenvolver mais de 50 tipos de doenças no fumante e até mesmo nos não fumantes, mas que aspiram a fumaça.

 

“Quando o cigarro é tragado, a mucosa nasal fica irritada e as cordas vocais se dilatam. A voz fica rouca, os batimentos cardíacos aumentam assim como a pressão arterial e a frequência respiratória, a digestão fica mais dificultada e ocorre um aumento na vasoconstrição. Tudo isso possibilita o desenvolvimento de diversas complicações”, explica o especialista.

 

Ainda segundo o médico, existem vários tipos de doenças, além do câncer, que podem ser causadas ou agravadas pelo cigarro, trazendo problemas para os mais variados sistemas do corpo humano.

 

– Sistema nervoso: a nicotina atinge o cérebro e vicia, causando, além da dependência, degeneração muscular, catarata e deficiência visual. O consumo frequente de cigarro também enfraquece o olfato e o paladar;

 

– Sistema respiratório: as substâncias do cigarro, quando inaladas, danificam os pulmões, que com o passar do tempo perdem a sua capacidade de filtro. Isso faz com que os fumantes desenvolvam doenças como o enfisema, a bronquite crônica e a mais séria de todas: o câncer de pulmão;

 

– Sistema cardiovascular: a nicotina causa a constrição dos vasos sanguíneos e aumento na pressão arterial, aumentando o risco da formação de coágulos sanguíneos e abrindo espaço para o acidente vascular cerebral. E isso vale não apenas para os fumantes de longa data, mas também para os passivos;

 

– Sistema digestivo: o cigarro, quando tragado, também pode gerar diversos problemas na boca, como a gengivite e a periodontite. Essas complicações levam ao mau-hálito, às caries e até mesmo a perde de dentes. Além disso, os fumantes têm mais chances de desenvolver câncer de boca, garganta, laringe, esôfago, renal e pancreático.

 

 




 

 

 

5 problemas de saúde mais frequentes associados à obesidade


A obesidade afeta 18,9% da população brasileira. Junto com o excesso de peso, surgem os problemas de saúde, sendo que as principais ocorrências são as doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, problemas de fígado e nas articulações. Emagrecer ajuda a reverter estes quadros e restabelecer uma condição saudável. Foi o que aconteceu com Cícera Maria Acioli, que chegou a ter infarto e AVC isquêmico por conta do sobrepeso.


A obesidade é considerada uma doença que pode provocar vários problemas de saúde. Entre as pessoas com excesso de peso o risco de desenvolver hipertensão, por exemplo, é 2,5 vezes maior do que em pessoas com peso normal. Segundo o Ministério da Saúde, a obesidade no Brasil cresceu 60% nos últimos anos, passando de 11,8% da população em 2006 para 18,9% em 2016. Entre as condições mais frequentes associadas ao acúmulo excessivo de gordura no corpo estão o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, problemas de fígado e nas articulações.


"Quando uma pessoa está acima do peso todo o seu organismo é sobrecarregado, ocasionando doenças. Além disso, alguns problemas de saúde não diretamente associados à obesidade podem se agravar. Quando a pessoa emagrece e passa a ter uma rotina saudável, se mantendo dentro do peso normal para sua estatura, muitos desses problemas deixam de ser uma condição e a pessoa retoma uma vida saudável", explica o médico e consultor do Método de Emagrecimento 5S, Victor Sorrentino.


Retomar a saúde é possível

Cícera Maria Acioli, de 54 anos, de Linhares (ES), pesava 75,5 quilos, 12 a mais do que o ideal para sua altura, que é de 1,60 metros, e tinha um histórico de muitos problemas de saúde. Alguns dos problemas tinham origem na obesidade e outros foram agravados por ela. "Eu vivia internada. Tive infarto agudo do miocárdio em 2008 e 2009, um AVC isquêmico em 2012 e uma parada cardíaca em 2014. Tive aterosclerose coronária, angina, taquicardia e arritmia, bloqueio total do ramo esquerdo do corpo, bloqueio de 30% da artéria direita e 50% da artéria do meio. Tinha problemas ósseos, três hérnias de disco na região sacral e uma na cervical, artrose e problemas no joelho. Sem contar que tinha 10% de gordura no fígado e altas taxas de colesterol, glicose e triglicérides. Ou seja, eu não tinha outra alternativa a não ser emagrecer", afirma Cícera.


Determinada a emagrecer, ela começou a seguir o Método de Emagrecimento 5S, que consiste em cinco estratégias para emagrecimento que aliam reeducação alimentar, suplementação de vitaminas via nutracêuticos, ômegas 3, 6 e 9, tratamentos estéticos e acompanhamento diário com nutricionista e psicólogo. "Eu já havia tentado acompanhamento com nutricionista, mas eu emagrecia e voltava a engordar depois. Com o método eu perdi 15 quilos em três meses e consegui emagrecer mais três depois de finalizar o tratamento.

Um mês depois de aderir ao método, minha saúde já apresentava melhoras. As altas taxas de colesterol, glicose e triglicérides começaram a baixar, minhas artérias começaram a desobstruir e meu problema de coluna melhorou muito. Antes eu não conseguia correr, hoje caminho, corro e faço aulas de zumba. Sou outra Cícera".

   

O médico Victor Sorrentino comenta as principais doenças associadas à obesidade. Confira:


Doenças cardiovasculares: As doenças do coração estão entre as que mais afetam os obesos, pois com o excesso de tecido adiposo branco secretando citocinas inflamatórias em grande quantidade, o tecido cardiovascular sofre diretamente. Isso pode provocar hipertrofia, que é o aumento do coração para dar conta do esforço, pode evoluir para insuficiência cardíaca e outras alterações, aumentando o risco do desenvolvimento de alterações vasculares, de infarto, de morte súbita e de AVC.


Diabetes: O diabetes em obesos costuma ser ocasionado pelo alto consumo de carboidratos, associado à exaustão pancreática com resistência insulínica. A doença é caracterizada pelo alto teor de glicose na corrente sanguínea e pela deficiência na produção de insulina para manter a glicemia adequada. A insulina é o hormônio responsável pela metabolização dos açúcares no organismo. Um sinal de alerta é o acumulo de gordura na região abdominal, além de alterações comuns como sede excessiva, excesso de vontade de urinar, sinais cutâneos e a sensação constante de fome. Algumas complicações provocadas pelo diabetes são retinopatia, obesidade, aumento no risco de câncer, infarto, entre outras.


Hipertensão: A pressão alta também é um problema de origem metabólica, que representa o aumento dos níveis tensionais na corrente sanguínea, o que dificulta a gerência deste líquido pelos vasos sanguíneos, exigindo que o coração consiga trabalhar de forma acelerada e com mais potência. Aumentos nos níveis pressóricos aumentam principalmente o risco de alterações renais e AVC.


Problemas no fígado: O fígado é o responsável pela metabolização de macro e micronutrientes. Porém, quando é exigido em excesso, o órgão não consegue executar suas funções de maneira satisfatória e pode trazer consequências metabólicas. O excesso de estímulo para a hipertrofia e aumento dos adipócitos (células de gordura), provoca uma distribuição tão dificultosa destas células pelo corpo, que seu estocamento passa a ocorrer também no próprio fígado, gerando a chamada esteatose hepática não alcoólica, que favorece o surgimento de hipertensão, diabetes, fibrose e cirrose hepática não alcoólica.


Articulações: O excesso de peso exige mais das articulações, fazendo com que elas sofram um desgaste maior. Quando as cartilagens estão desgastadas, o atrito entre os ossos provoca dores, rigidez e inchaço, sinais evidentes de inflamação, e acaba prejudicando a mobilidade do obeso. O problema mais comum que afeta as articulações é a artrose, mas outros bastante conhecidos são "bicos de papagaio" e "esporão de galo", nomes populares do osteófíto, uma pequena saliência óssea que cresce ao redor das articulações. Quadril, joelhos, tornozelos e pés são os membros mais afetados.

 

 

 

 



 

 

 

Atualidades em anticoncepção


Uma abordagem completa sobre os principais métodos contraceptivos disponíveis hoje no país elevou o oitavo curso de anticoncepção do pré-congresso a um dos eventos mais concorridos entre os especialistas, durante o XXII Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia.


O curso reuniu os palestrantes altamente gabaritados da Escola Paulista de Medicina, UNIFESP, UNICAMP, Centro Persona de Ginecologia e Saúde da Mulher, Faculdade de Medicina do ABC, Faculdade de Medicina da USP e UNIFEV.


Na abordagem “Anticoncepção e Tratamento do Sangramento do Útero Aumentado”, a professora Ilza Maria Urbano Monteiro, livre-docente do Departamento de Tocoginecologia da UNICAMP, destacou que a opção de uso do sistema intrauterino com liberação de levonorgestel (SIU-LNG), apresenta uma melhora acentuadamente do padrão menstrual, embora com diminuição discreta do volume uterino. “O SIU pode, em geral, evitar a histerectomia em pacientes jovens”, disse. Importante, de acordo com ela, é o que o médico considere o tamanho do mioma para só assim definir pelo tratamento clínico ou cirúrgico.


Jarbas Magalhães, do Centro Persona, chamou atenção no módulo “Anticoncepção na Perimenopausa”, para a saúde da mulher com mais de 45 anos. Estima-se que nos próximos dez anos cerca da 60% da população brasileira terá mais de 50 anos, fazendo-senecessária uma ampla abordagem aos métodos anticoncepcionais com foco em mulheres acima de 45 anos. “Essas mulheres não estão tendo prescrição de anticoncepcional e passam pela gestação não planejada”, afirmou. Além disso existe o aumento da taxa de abortamento e infecções genitais como HPV e HIV. Entre as tendências da atualidade na anticoncepção acima dos 45, Magalhães chama atenção para o uso dos anticoncepcionais combinados e para a escolha de progestogênios mais seletivos.  Para a escolha de um anticoncepcional é importante considerar o aspecto metabólico e não só o efeito contraceptivo, visto que pesquisas apontam que de 5% a 10% da população feminina apresenta Síndrome do Ovário Polístico (SOP). Mulheres com SOP apresentam risco aumentado de diabetes, resistência insulínica, doenças cardiológicas e câncer de endométrio. A síndrome é também a principal causa de infertilidade anovulatória e hirsutismo.


Entre as contraindicações aos métodos com estrogênios, o médico observa que estão os múltiplos fatores de risco para doença cardiovascular, hipertensão arterial, trombofilias, cirurgias maiores com imobilização e dislipidemias. Portanto, para a escolha do contraceptivo à mulher com SOP os critérios de elegibilidade devem ser priorizados. Os contraceptivos orais combinados são efetivos no tratamento das manifestações androgênicas, regularização do ciclo menstrual e prevenção da hiperplasia endometrial.


Em relação a alteração de humor com o uso de anticoncepcionais Cristina Aparecida Falbo Guazzelli, da UNIFESP, chamou atenção para o atendimento da paciente, destacando que anamnese tem que ser adequada para identificar se a paciente já é mais predisposta à depressão. As pacientes podem ser influenciadas pela anticoncepção, por exemplo, as que já têm diagnóstico de depressão. Estudos, segundo ela, apontam que os anticoncepcionais orais combinados auxiliam as deprimidas.

 

As infecções genitais e a volta das DSTs

O curso pré-congresso sobre infecções genitais, que aconteceu na manhã de quinta-feira, abordou o cenário das infecções e os caminhos para prevenção e tratamento, além de chamar para uma reflexão: o olhar 360º para as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Para Adriana Bittencourt Campaner, Mestre e Doutora em Tocoginecologia, que coordenou o curso, falar da importância desse olhar mais amplo no diagnóstico e no tratamento das DST está em linha com o atual cenário dessas doenças. “As DSTs estão voltando. Já temos   um aumento de 1.000% nos casos de sífilis”, destaca.


Uma nova abordagem em tratamento também esteve no discurso da ginecologista Iara Moreno Linhares, que apresentou a palestra:  Microbioma, Probióticos e Infecções Urogenitais: Onde Estamos? Na ocasião, Dra. Iara mostrou o funcionamento dos microbiomas (totalidade de micróbios, seus elementos e interações) em mulheres saudáveis, a importância dos lactobacilos dentro desse organismo e a eficácia dos probióticos para o tratamento de infecções - que comprovadamente apresentou uma redução de recidivas. Embora existam alguns estudos, a especialista chama a atenção para a importância de estudar mais a questão dos probióticos, a fim de incluí-los nos tratamentos de infecções. “Há uma necessidade de inovação e isso é olhar com mais atenção para os probióticos”.


Desmistificar o HPV, visto como o principal responsável pelo câncer de colo de útero, foi o mote da palestra: Infecção Genital e Carcinogênese: Sempre o HPV?, ministrada pela Dra. Adriana Bittencourt Campaner. “É muito importante esclarecer e reforçar que 90% das pessoas que contraírem o HPV, vão ter o vírus eliminado”. Esse alerta foi feito para reforçar a importância de se olhar as demais doenças infecciosas, como a clamídia e vaginose bacteriana - que fazem diminuir a imunidade, aumentando a proliferação do vírus HPV. “Uma DST não vem sozinha”, afirma Dra. Adriana.


A higiene genital também esteve em pauta no curso pré-congresso. Rose Luce Gomes do Amaral, Doutora em Tocoginecologia, falou do papel fundamental que a higiene genitália tem na prevenção e controle das doenças vaginais. Segundo a especialista, mais do que um debate da classe médica, essa é uma questão demandada pelas próprias pacientes. “As mulheres querem saber se devem fazer a higiene vaginal e como isso deve ser feito de forma saudável”, destaca.


Para Dra. Amaral, manter o equilíbrio é uma boa decisão. “Uma vagina com má higiene pode apresentar riscos de infecção da mesma forma que a higiene excessivamente feita pode expor esse organismo”, destaca a médica que também relaciona fatores como impactantes para o ecossistema vaginal, como: atividade sexual, alimentação e o próprio ciclo menstrual.

 

 

Os marcadores da infertilidade conjugal e os limites biológicos

No primeiro dia do XXII Congresso Paulista de Obstetrícia e Ginecologia, um dos cursos pré-congresso mais disputados apresentou o tema “Infertilidade Conjugal e Reprodução Assistida”.  Sob a coordenação dos médicos Newton Eduardo Busso e Leopoldo de Oliveira Tso, os palestrantes trouxeram novidades sobre a identificação da infertilidade, indicações de exames como a histerossalpingografia, pesquisas sobre o fator ovariano e as técnicas para realizar a Fertilização In-Vitro (FIV).


Com o aumento da longevidade humana e adiamento da decisão da gravidez, principalmente em decorrência da maciça entrada da mulher no mercado de trabalho, surgem novas discussões sobre como driblar o relógio biológico feminino e chegar ao melhor resultado possível: um nascido vivo a termo com peso adequado.


Apesar dos avanços técnicos e científicos apresentados, tais como aperfeiçoamento do uso de hormônios, inseminações intra-uterinas e criopreservação dos embriões, o grande desafio na área da medicina reprodutiva continua sendo o limite imposto pela idade da mulher.  Durante sua explanação sobre Avaliação Crítica dos resultados da Fertilização In-Vitro, o doutor Leopoldo de Oliveira Tso afirmou: “o envelhecimento celular vai impactar negativamente nas chances do sucesso da fertilização”.


Os especialistas destacaram que a reprodução assistida deve considerar as idiossincrasias físicas e genéticas de cada casal, incluindo as uniões homoafetivas, custos envolvidos nos tratamentos e até mesmo os riscos da Síndrome de Hiperestímulo Ovariano, podendo comprometer a saúde feminina.


 

Os cuidados nos tratamentos das disfunções sexuais femininas

A sala cheia para assistir o debate sobre Tratamento Farmacológico das Disfunções Sexuais durante o XII Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia traduz uma grande curiosidade dos médicos para melhor atender a saúde integral da mulher.


Nos dias de hoje, grande parte das mulheres se sentem merecedoras de uma vida sexual ativa e satisfatória, e a visita ao ginecologista é o momento de buscar soluções para as possíveis disfunções sexuais que elas venham apresentar.


Durantes as várias etapas da vida reprodutiva, a mulher enfrenta desafios diários em suas tarefas como esposa, mãe, profissional, além dos seus conflitos pessoais, o que acabar por afetar o seu desempenho no momento do sexo. Os profissionais que lidam com a saúde feminina se deparam diariamente com queixas das disfunções sexuais, tais como falta de libido, frigidez, anorgasmia ou mesmo vaginismo e aversão sexual.


Descartando os fatores físicos e hormonais, ligados ao diabetes, doenças neurológicas ou uso excessivo de álcool e drogas, a disposição sexual feminina é influenciada pelas diferentes fases do ciclo menstrual, gravidez e menopausa. A oscilação do desejo sexual da mulher muitas vezes entra em desacordo com a libido masculina, mais frequente e constante, gerando insatisfações perante expectativas não atingidas.


O debate, sob a coordenação dos médicos Gerson Pereira Lopes e José Renato Sampaio Tosello, focou no desafio do médico ginecologista em administrar ou não medicamentos para sua paciente recuperar plenamente sua função sexual. A psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, referência do assunto no país, afirmou que “o critério é o sofrimento pessoal, e não a tentativa de satisfazer o parceiro ou ter uma atividade sexual sem desejo, afinal a mulher pode ser assexual, classificação em que se enquadram cerca de 7% delas”.


Os palestrantes, incluindo a médica Flávia Fairbanks Marino, foram unânimes em afirmar que a diminuição do desejo não acontece de repente, e em geral, é consequência de alguma mudança significativa na vida desta paciente, elemento que muitas vezes não é percebido como causador desta falta de apetite sexual.


Já o doutor Théo Lerner declarou que os ginecologistas têm a permissão para receitar antidepressivos e ansiolíticos para paciente com alguma disfunção sexual, no entanto este tratamento deve ser bastante criterioso. Lerner defende o uso de psicoterapia e particularmente prefere encaminhar a paciente para um colega psiquiatra, para uma melhor avaliação e possível medicação de forma efetiva.


Nos casos em que o médico ginecologista opte por introduzir qualquer fármaco, uma avaliação cuidadosa da saúde física e mental desta mulher é vital para atingir o melhor custo-benefício, minimizando os efeitos colaterais, com menor impacto em aspectos como sono, humor, apetite ou eventual ganho de peso.


O debate sobre o uso de fármacos no tratamento das disfunções sexuais mostrou como cada vez mais o médico ginecologista precisa estar capacitado para ocupar o papel de conselheiro na vida desta mulher moderna, que procura atenção para sua saúde na totalidade, incluindo a satisfação sexual.

 

 

 

 





 

 Entenda a relação entre a saúde intestinal e o humor


Para manter a saúde intestinal e o bom humor em dia, o consumo de fibras é um forte aliado

 

Popularmente, o intestino é chamado de segundo cérebro e esse apelido não é à toa. O órgão é responsável pela produção de diferentes hormônios e neurotransmissores que encaminham sinais para outras partes do corpo, inclusive ao cérebro. Por isso, manter a saúde intestinal em dia por meio do consumo de fibras é importante, já que o intestino influência diretamente na modulação do humor.  


Além de melhorar a disposição, os benefícios do consumo de fibras estão na redução do risco do desenvolvimento de doenças do coração, hipertensão e diabetes tipo 2, além de melhorar os problemas intestinais e auxiliar no controle do peso.


A nutricionista Beatriz Botequio, da Equilibrium Consultoria e consultora do Sabe Portal (http://sabeportal.com.br/sobre/) recomenda algumas mudanças de hábito e alimentação para o funcionamento adequado do intestino e, consequentemente, uma qualidade de vida melhor.


{C}1.    {C}Inclua as fibras na alimentação. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 26% da população atinge a recomendação de 25g de fibras por dia. A quantidade ideal varia de acordo com a idade e consumo energético. Para atingir a recomendação de 25g acrescente na sua rotina a seguinte refeição: 1 laranja (3,1g), 1 maçã com casca (5,4g), duas fatias de pão integral (3,8g), 1 baby carrot (1,25g), 1 banana nanica (3,5g) e 2 colheres de feijão carioca cozido.


{C}2.    {C}Priorize o consumo diário de frutas e vegetais - sempre que possível com a casca - e dê preferência para pães e cereais integrais.


{C}3.    {C}Mantenha hábitos que contribuam para o funcionamento do intestino. O mau funcionamento do órgão pode causar prisão de ventre e também provocar alterações no humor, como estresse e ansiedade.  A prática de atividade física, o consumo adequado de água são grandes aliados do intestino.


{C}4.    {C}As fibras solúveis, como já diz o nome, são solúveis em água, formando um gel viscoso. A pectina, as gomas e a inulina são exemplos de fibras solúveis. Um exemplo de alimento que contém fibra solúvel é a aveia. As fibras insolúveis, não são solúveis em água, e por isso, não formam o gel. Feijões, lentilhas, ervilhas e cereais, são fontes de ambos os tipos de fibras, sendo que os cereais em geral têm uma quantidade maior de fibras insolúveis como no caso dos integrais (farinha integral, arroz e centeio), legumes como vagem e abobrinha, frutas como abacaxi.

 

 

 




 

 

O Fumo e a infertilidade

 

Fumar é considerado por muitos como a causa de doenças e mortes mais previsíveis do ser humano. A maioria das pessoas que fuma não tem consciência que este vício provoca dependência e causa males à saúde que se agravarão no decorrer de suas vidas. A sensação que prevalece entre os fumantes é a diminuição da ansiedade e do estresse. Consideram um antidepressivo que ameniza “os aborrecimentos”. Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que o uso do tabaco acarreta, aproximadamente, 5 milhões de óbitos por ano, ou seja, 10 mil falecimentos por dia. Se o ritmo atual de consumo for mantido, o número atual de mortos poderá alcançar 10 milhões por ano em 2020. No Brasil, calcula-se que 17,4% da população é fumante, sendo que a maioria é adolescente. São 2,7 milhões de consumidores de cigarros que têm idade entre 12 e 17 anos. Quanto mais cedo se inicia o uso do fumo, maior será a possibilidade do aumento de quantidade de cigarros por dia. O crescimento tende a ser progressivo. No Brasil, são 200 mil mortes a cada ano.


Aproveitando o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto, é importante destacar que quando se menciona o “fumo”, não é só do cigarro que se está falando, mas também de outros produtos provenientes do tabaco como: charutos, narguile, cachimbo, fumo de mascar etc. Todos têm efeitos nocivos semelhantes. Maiores ou menores, mas sempre prejudiciais à saúde.


Os estudos que avaliam os efeitos maléficos do fumo são contínuos e frequentemente são descobertos novos inconvenientes à saúde do ser humano, além das evidências já conhecidas, permanentes e debatidas, que causam quase 50 doenças diferentes, principalmente as cardiovasculares (infarto, angina), o câncer e as doenças respiratórias obstrutivas crônicas (enfisema e bronquite), a infertilidade e outras.


Cigarro e Fertilidade


O cigarro é considerado o veneno reprodutivo mais potente do século 21. Vários estudos científicos comprovam seu efeito deletério sobre a saúde reprodutiva.


A fumaça do cigarro contém centenas de substâncias tóxicas, incluindo a nicotina, monóxido de carbono, polônio radioativo, alcatrão, colesterol, fenol, ácido fórmico, ácido acético, chumbo, cádmio, zinco, níquel, benzopireno e substâncias radioativas, as quais afetam a função reprodutiva em vários níveis, como a produção dos espermatozoides, motilidade tubária (importante para a captação do óvulo que sai do ovário no momento da ovulação), a divisão das células do embrião, formação do blastocisto (embrião com mais de 64 células) e implantação.


Mulheres fumantes também podem apresentar maior incidência de irregularidade menstrual e amenorreia (falta de menstruação). A fertilidade é reduzida em 25% nas mulheres que fumam até 20 cigarros ao dia, e 43% naquelas que fumam mais de 20 cigarros, ou seja, o declínio da fertilidade tem relação direta com a dose de nicotina.


Durante a gestação, o fumo pode aumentar a incidência de placenta prévia (placenta baixa), descolamento prematuro da placenta e parto prematuro.


Deve-se sempre estimular as pessoas a parar de fumar, especialmente os casais que estão tentando engravidar e, principalmente, homens nesta situação que apresentam contagem de sêmen no limite inferior da normalidade. Entretanto, mesmo com contagem de sêmen normal, o fumo deve ser desencorajado.


Efeitos do cigarro sobre a fertilidade


(Publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva-ASRM)


* Homens e mulheres fumantes têm chances três vezes maiores de sofrer de infertilidade quando comparados àqueles que não fumam.


* Tentando estabelecer uma relação causal, os estudos atuais mostram que 13% da infertilidade feminina podem ser atribuídas ao cigarro. Lembrando que 10 cigarros por dia já são suficientes para prejudicar a fertilidade.


* Mulheres tabagistas crônicas entrarão mais cedo na menopausa (um a quatro anos antes), o que pode ser atribuído à aceleração da diminuição do estoque de óvulos.


* O hábito de fumar está associado a um aumento no risco de abortamento (aumenta em até 27%) e gravidez ectópica (gravidez nas tubas).


* O cigarro na gravidez prejudica a fertilidade do filho homem.


* Filhos de mães fumantes têm dificuldade no aprendizado escolar.


* Filhos de pais fumantes têm maior chance de desenvolver câncer.


* Mutação genética é um possível mecanismo pelo qual o cigarro pode afetar a fecundidade e a função reprodutiva.


* Estudos científicos demonstraram que mulheres fumantes precisam de duas vezes mais tentativas de Fertilização in vitro que as não fumantes, além de necessitar, nos tratamentos, de uma quantidade maior de medicamentos.


* Homens que fumam têm muito mais espermatozoides anormais que os não fumantes, e a porcentagem de espermatozoides anormais está diretamente ligada ao número de cigarros fumados por dia.


* Fumantes passivos (tanto homens como mulheres) com exposição excessiva ao cigarro também têm maior incidência de todas as alterações descritas acima.

 

Por que as pessoas começam a fumar?

Os adolescentes fumam por pressão de amigos e colegas, imitação, manifestação de independência, rebeldia ou para sentir-se uma “figura mais importante” no grupo de relacionamento. Os adultos pelo vício e efeito calmante, e muitos continuam pelo medo de engordar. As empresas produtoras de cigarros buscam nos jovens os “substitutos” dos adultos que deixam de fumar ou que já morreram pelas complicações do fumo. Conhecem suas motivações e as estimulam por meio de propagandas que utilizam jovens atraentes e bem sucedidos, numa idade desejável e esplendorosa, realizando ações de liberdade em paisagens deslumbrantes e excitantes.


As empresas publicitárias conhecem o perfil deste público jovem: vivem o presente, anseiam por liberdade, valorizam a amizade e a imagem pessoal, são sedutores, amantes da natureza e gostam de aventura.


Os pais podem ajudar muito os jovens a não iniciar a prática do fumo. Mesmo em um ambiente onde existe a pressão dos anúncios publicitários e amigos que forçam este hábito, o exemplo em casa, um bom relacionamento familiar com diálogos esclarecedores, podem ser decisivos para que se evite a continuidade deste costume.


Em vários países, campanhas antitabagismo retratando os males do fumo têm ajudado a desencorajar os entusiastas deste vício. Muitas delas vêm junto dos maços de cigarro.


É sempre bom lembra que…


Outros males causados pelo tabagismo:


. 200 mil mortes por ano no Brasil (23 pessoas por hora);


. 25% das mortes causadas por doença coronariana, angina e infarto do miocárdio;


. 45% das mortes causadas por doença coronariana na faixa etária abaixo dos 60 anos;


. 45% das mortes por infarto agudo do miocárdio na faixa etária abaixo de 65 anos;


. 85% das mortes causadas por bronquite e enfisema;


. 90% dos casos de câncer no pulmão (entre os 10% restantes, 1/3 é de fumantes passivos);


. 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero);


. 25% das doenças vasculares (entre elas, derrame cerebral);


. Impotência sexual no homem;


. Aneurismas arteriais;


. Úlcera do aparelho digestivo;


. Infecções respiratórias;


. Trombose vascular;


. Tosse do fumante;


. Coloração amarela nos dentes e nos dedos;


. Agravamento das alergias e da asma;


. Arteriosclerose.


As doenças cardiovasculares e o câncer são as principais causas de morte por doença no Brasil, sendo que o câncer de pulmão é a primeira causa de morte por câncer. As estimativas sobre a incidência e mortalidade por câncer no Brasil, publicadas anualmente pelo INCA indicam que, anualmente, cerca de 22 mil pessoas adoecem em decorrência do câncer de pulmão (15 mil homens e 7 mil mulheres) causando aproximadamente 16 mil mortes. Desse total de óbitos, 12 mil deverão ocorrer entre os homens e 4 mil entre as mulheres.


Porém ao abandonar o hábito do fumo, o risco de ter essas doenças vai diminuindo gradativamente e o organismo do ex-fumante vai se restabelecendo.


Dicas para largar o fumo


O vício do cigarro pode ser considerado uma doença. Enquanto não se admitir isto, não se consegue parar. O ideal é nem começar, pois dois terços daqueles que experimentaram acabaram viciados. Procure não buscar justificativas nas exceções da vida para manter o seu vício, como por exemplo, “fulano(a) morreu jovem e não fumava e sicrano(a) que fumava viveu até a senilidade” ou: “fulano(a) não fumava e teve dificuldades em ter filhos e sicrano(a) que tinha o vício teve muitos filhos”. A regra é completamente diferente. Por isso…


1. Não adie a sua decisão: o momento é agora. Pessoas que marcam datas futuras para o rompimento com o cigarro como, por exemplo: “no ano que vem”, “depois do natal”, “na semana que vem” etc. Dificilmente cumprem a promessa.


2. Determinação: o dia que você determinou para por fim ao seu vício deve ser respeitado. Respeite a sua decisão. Não procure desculpas para voltar atrás. A determinação é o artifício mais valioso.


3. Fumar sem tragar também faz mal, não acredite no contrário.


4. Não existe nenhum medicamento ou adesivo milagroso que faça que você não sinta vontade de fumar naqueles momentos em que você acendia o cigarro por hábito ou por prazer. O autocontrole é determinante.


5. Informe a seus familiares e amigos mais próximos sobre a sua decisão. Eles poderão reforçar a sua atitude. Não tenha medo de falhar, mas se isso acontecer tente de novo. Muitas das pessoas que conseguiram, não o fizeram na primeira tentativa.


6. Ao parar de fumar, não deixe cigarros ao seu alcance, não tenha no trabalho ou em casa e evite o convívio com fumantes.

 

7. Não abra exceção de forma alguma nem balbucie a frase “só uma tragadinha, pois hoje é tal comemoração”.


8. Identifique quais são os gatilhos que o fazem acender o cigarro.


9. Tome líquido em abundância.


10. O período crítico são as duas primeiras semanas; cada dia é uma vitória.


11. Após 14 dias, você passou o período crítico, e após um mês você já é um ex-fumante que só voltará se quiser.


12. Evite companhias de pessoas fumantes, pois podem levar à tentação. Evite festas, pois estes ambientes podem levar a uma recaída. O ex-fumante deve evitar acender cigarro para colegas, ou fumar esporadicamente. Estas práticas o levará novamente ao vício.


13. Faça exercícios, eles podem diminuir a vontade de fumar, além de controlar o estresse.


14. Não se dê o direito de voltar a fumar, caso esteja passando por algum problema ou contrariedade.


15. Se você se interessou por estas dicas, já é um bom começo. Parabéns.


 

 

Arnaldo Schizzi Cambiaghi - Diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica como Fertilidade Natural, Grávida Feliz, Obstetra Feliz, Fertilização um ato de amor, e Os Tratamentos de Fertilização e As Religiões, Fertilidade e Alimentação, todos pela Editora LaVida Press e Manual da Gestante, pela Editora Madras. Criou também os sites: www.ipgo.com.br; www.fertilidadedohomem.com.br; www.fertilidadenatural.com.br, nos quais esclarece dúvidas e passa informações sobre a saúde feminina, especialmente sobre infertilidade. Apresenta seu trabalho em congressos no exterior, o que confere a ele um reconhecimento internacional.

 


 



 

 

 

 

 Depois da cirurgia vem a... dor

Uma das consequências mais temidas após uma intervenção cirúrgica é a dor que surge com o fim do efeito da anestesia. “A dor pós-operatória é normal por ser um alarme de que o corpo sofreu uma agressão, um trauma operatório. Dependendo do tamanho da cirurgia e da inervação da área operada, teremos mais ou menos dor. Por exemplo, face, mãos, períneo e pés são áreas com mais nervos, portanto, é esperado que o paciente sinta mais dor nesses locais”, explica Antonio Carlos de Camargo Andrade Filho, coordenador do Curso de Especialização e Pós-Graduação sobre Dor na Universidade de Marília (UNIMAR) e coordenador do Comitê de Termografia da Sociedade Brasileira Para Estudo da Dor (SBED).

Segundo o especialista, a dor deve ser tratada nos casos moderados e intensos para evitar convalescença mais prolongada e suas complicações, como reabilitação mais lenta, disfunções intestinais, insuficiência respiratória restritiva e retenção de secreções pulmonares, mais custo hospitalar entre outras intercorrências que podem surgir. Para iniciar o tratamento, é preciso avaliar bem o paciente e suas características como idade, peso, capacidade de comunicação, região corporal operada, porte cirúrgico e se existe infeção associada à cirurgia.

“Assim podemos determinar se devemos receitar remédios via oral, opiáceos ou anti-inflamatórios, que não interfiram na coagulação, função cardíaca e dos rins, respiratória e no trato gastrointestinal, de dois a três dias. Não podemos esquecer que mesmo os pacientes que vão ficar entubados e nos aparelhos de ventilação devem ter a dor monitorada”, ressalta Andrade Filho.

Até o quinto dia após a operação, é esperada dor mais intensa, que pode variar conforme as características do paciente, a localização e porte do ato cirúrgico. Fatores como etnia, psiquismo e motivações pessoais também interferem nesses sinais.

“É importante não esquecer que dor é sempre um alarme valioso para médico
e enfermagem. Se houver mudança de intensidade, característica, localização ou irradiação da dor, a atenção deve ser redobrada e o paciente reavaliado
cuidadosamente”, salienta o médico. 

Em alguns casos, a dor pode se tornar permanente. “Em torno de 10 a 15% da população tem tendência genética para desenvolver dores crônicas. Para que o ato cirúrgico não seja o fator desencadeador (epigenética), o combate à dor pós-operatória é de suma importância”, alerta Andrade Filho. 

Se a dor persistir e for demasiada, o paciente deve procurar o médico que o operou. “A IASP (International Assotiation for the Study of Pain) recomenda que todo médico deve ter conhecimento adequado para lidar com as dores intensas que ocorrem na sua área de atuação”, esclarece o especialista. 

Se o tratamento for feito de forma insuficiente, poderá comprometer a reabilitação do paciente e até o resultado da cirurgia. Se for uma medicação exagerada (nível tóxico), o convalescente poderá ter período de alerta diminuído e a consciência comprometida. “Sem esquecer que o paciente adequadamente alerta comunicará sempre de forma melhor qualquer intercorrência ou complicação que estiver ocorrendo”, conclui o médico.

 

 

 

 

 



 

 

 

 

 

20% da população possui o gene da fibrose cística

- Série Bates Motel dá protagonismo a personagem portadora
- 3,37% dos testes de compatibilidade genética apresentam resultado positivo para a alteração genética da fibrose cística
- Famílias com caso de Fibrose Cística devem passar por aconselhamento genético antes de engravidar
 
 
Estima-se que 20% da população é portadora assintomática do gene que provoca a fibrose cística. Porém esta doença se manifesta apenas quando o gene é herdado por pai e mãe. Na série Bates Motel, a personagem Emma Decody interpretada pela atriz Olivia Cooke, ajuda a conhecer um pouco mais sobre esta doença rara e sem cura que afeta o sistema respiratório, digestivo e reprodutivo.

Apesar da grande quantidade de portadores, a doença se manifesta apenas quando o gene é herdado por parte de pai e mãe. Estima-se que a fibrose cística afeta em média uma de cada 2.500 pessoas. “O avanço dos tratamentos tem permitido que a maioria possa chegar à idade adulta, no entanto ainda há desconhecimento geral sobre a necessidade de aconselhamento genético para prevenir novos casos da doença em famílias que carregam o gene alterado”, alerta Dra Marcia Riboldi, especialista em genética e diretora do laboratório Igenomix Brasil e completa: “3,37% das mais de dez mil amostras de teste de compatibilidade genética que analisamos apresentam um resultado positivo para a alteração do gene da fibrose cística”

A fibrose cística pode causar complicações graves. Quando um dos membros do casal tem conhecimento de casos anteriores na família, é possível identificar se ambos carregam o gene alterado através de um exame de sangue específico. “Se identificada a alteração, através do planejamento familiar é possível evitar que a fibrose cística se manifeste nos futuros filhos” explica Dra Marcia Riboldi, especialista em genética.

Os sintomas da fibrose cística podem ser confundidos com diferentes origens, por isso o diagnóstico pode ser difícil. Entre as complicações mais comuns está a pneumonia de repetição, dificuldade de ganhar peso e estatura. O diagnóstico pode ser feito através do teste do pezinho, teste do suor e testes genéticos específicos.
 
Consequências da Fibrose Cística

  • Respiratórias: Dificuldade para respirar, infecções respiratórias e falha respiratória.
  • Digestivas: Desnutrição, refluxo, diabetes e obstruções intestinais.
  • Reprodutivas: Alto risco de infertilidade masculina e diminuição da fertilidade feminina.

Segundo a Dra Marcia, a procura por exames genéticos que identificam o risco de doenças hereditárias tem aumentado, mas ainda é pouco considerando os problemas que podem evitar. “Saber se é portador de um gene que pode gerar uma doença nas futuras gerações é uma oportunidade para evitar um sofrimento futuro e eliminar o risco não apenas para os filhos diretos, mas para as gerações futuras. Atualmente tanto para a fibrose cística, quanto para outras doenças autossômicas recessivas, os estudos de compatibilidade genética tem permitido as famílias tomarem medidas para prevenir doenças sem cura”.
 
Tratamento que evita a Fibrose Cística nos descendentes
O tratamento para evitar a fibrose cística disponível atualmente é o PGD, que estuda as células dos embriões gerados pelo casal antes da gravidez para identificar doenças monogênicas específicas. Este diagnóstico exige a realização da Fertilização in Vitro para ter acesso aos embriões.

Para realizar o PGD, algumas células dos embriões gerados pelo casal são retiradas no laboratório da clínica de reprodução humana e enviadas ao laboratório de genética. Até o recebimento do laudo, os embriões são congelados e permanecem na clínica.

Com o resultado do diagnóstico é possível identificar os embriões livres da alteração genética e transferir um embrião saudável ao útero materno, que permite o nascimento de um bebê livre do gene da doença.