Operação Lava Jato


Especialista em Segurança e Inteligência pergunta: como os corruptos burlaram os sistemas e desviaram tanto dinheiro?


O economista Professor Ricardo Gennari questiona as atuações do COAF e dos sistemas de inteligência bancários

 

Segue um mistério a intensa movimentação de dinheiro, dentro e fora do país, deflagrada pela Operação Lava Jato. Os valores desviados são astronômicos (só uma empresa pagou propina de aproximadamente R$ 10 bilhões de reais!).

 

“Para esconder dinheiro dentro de baia de cavalo, dentro da cueca, debaixo do colchão e mesmo movimentar dinheiro pessoalmente é necessário ter papel moeda ou utilizar transações bancárias, transferências e instrumentos financeiros. Com certeza uma das formas utilizadas foi a lavagem de dinheiro”, comentou o professor Ricardo Gennari, economista e especialista em segurança, inteligência e estratégia e CEO da Troia Intelligence.

 

No Brasil, o Controle de Atividades Financeiras (COAF), entidade ligada ao Ministério da Fazenda, é o órgão fiscalizador de todo o sistema e tem como objetivo combater os crimes financeiros. Todavia, muitas perguntas ainda não foram respondidas e seguem incógnitas: como os corruptos movimentaram tanto dinheiro no país sem serem rastreados? Cadê a inteligência do COAF? Ninguém, nem mesmo o  sistema de inteligência dos bancos, percebeu tamanha movimentação financeira?

 

Atualmente é fundamental que as grandes empresas e as instituições financeiras contem com sistemas de proteção e controle contra fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro, e até mesmo, medidas contra o financiamento do terrorismo. “A Governança Corporativa e a aplicação do Compliance são ferramentas indispensáveis para conferir políticas e diretrizes que possam coibir fraudes, desvios e más condutas”, conclui Gennari.

 

Resta saber agora quais são as mágicas (...) que os corruptos usaram para conseguir driblar o COAF as instituições financeiras.

 

 





 

 

Mergulhando na darknet


O que é a deep web, o que é a darknet e o que pode ser encontrado nelas? Michal Salat, diretor de Inteligência de Ameaças da Avast, explica o que há nesses obscuros ambientes digitais e por que é preciso cuidado quando se faz acesso a eles

 

 

É frequente o noticiário sobre ataques e invasões de cibercriminosos fazerem referência a material encontrado na deep web ou na darknet. Essas expressões são os nomes de dois ambientes digitais diferentes, embora eles contenham várias semelhanças. Na verdade, há uma linha muito fina entre a deep e a dark web. Michal Salat, diretor de Inteligência de Ameaças da Avast, explica as principais diferenças entre a deep web e a dark web, também chamada de darknet:


“A expressão deep web descreve basicamente todas as páginas, fóruns e lojas de e-commerce que estão escondidos e inacessíveis para os motores de busca como o Google ou o Bing. Esses endereços usam o protocolo web padrão HTTP / HTTPS, para que você possa encontrá-los usando um navegador comum como Chrome, Edge ou Firefox”, diz o diretor da Avast.


Como a deep web, a darknet também contém todas as páginas, fóruns e e-commerce que estão escondidos e também são inacessíveis para os motores de busca, ele acrescenta. Mas ao contrário da deep web, é preciso um tipo específico de software, como o Tor browser, para fazer acesso a ela:


“Tanto a deep web como a darknet são freqüentemente abusadas por atividades ilegais, por exemplo para distribuir bens e serviços ilegais. Pode-se comprar drogas, armas e malware na deep web e na darknet, e infelizmente, serviços de assassinos também”, diz Michal Salat. “A darknet, no entanto, proporciona mais anonimato do que a deep web, provavel razão pela qual é mais popular entre os cibercriminosos. A darknet é coberta pela rede Tor, com muitos nós (pontos) de acesso e tráfego criptografado, mas há informações de que a agência de inteligência norte-americana NSA pode ter métodos para rastrear usuários do Tor”, ele observa.


Explorando a darknet

A primeira impressão que se tem quando se visita a darknet pela primeira vez é de que é mais difícil navegar do que na web à qual estamos todos acostumados, porque ela não é indexada, e os endereços são muito mais difíceis de lembrar:


“Na darknet você não pode simplesmente digitar um endereço como "google.com". Em vez disso, você deve se lembrar e digitar uma URL muito mais longa e complicada para acessar o site que deseja visitar. Por exemplo, se você quiser visitar o Darknet "Hidden Wiki" você tem que digitar manualmente "kpvz7ki2v5agwt35.onion" para visitar a página. Se você se lembra dos primeiros dias da internet, antes de as páginas serem indexadas, a experiência é semelhante”.


Ele acrescenta que é possível “encontrar na darknet vários mecanismos de busca que darão a você resultados mais ou menos relevantes para o que você estiver procurando, mas esses resultados não são nada em comparação com o que se obteria pesquisando algo no Google ou no Bing. O serviço "HiddenWiki", por exemplo, é útil, na medida em que categoriza alguns dos serviços que estão disponíveis”.


Legal ou ilegal?

Embora se possa encontrar muitas coisas ilegais na darknet, tais como armas, pornografia, software pirata e drogas, nem tudo ali é ilegal, destaca o Diretor da Avast: “A ideia por trás da darknet foi proporcionar acesso à informação, ao mesmo tempo garantindo a privacidade e contornando a censura. Você pode encontrar conteúdo legal como arte, livros, fotos e vídeos, que são censurados ou proibidos para certas pessoas devido a regulamentações e restrições governamentais. A darknet também proporciona comunicação segura para dissidentes, denunciantes e jornalistas”.


Ao explorar a darknet, ele lembra que é importante ter em mente que ela é um lugar ‘selvagem’, sem quaisquer regulamentos. Não há garantia de que aquilo que você compra ou faz download é seguro ou será realmente entregue: “O número de fraudes e falsificações é muito alto. Você também pode facilmente baixar conteúdo ou comprar bens que podem ser proibidos em seu país e assim violar a lei. Também há muito malware na darknet, assim como na internet comum que todos usamos, mas um antivírus pode proteger você. A darknet pode ser comparada a um bairro ‘da pesada’ da vida real, onde criminosos aparecem com frequência. Pode haver pessoas boas no bairro, mas também há maior chance de você se envolver em atividades perigosas ao explorar a darknet. Então, se decidir mergulhar, por favor, tenha cuidado.”

 

 

 

Avast

www.avast.com


 

 




 

 

 

Final de semana - saiba como evitar assaltos em parques da cidade



Final de semana é sinônimo de parques lotados de famílias. Cenário perfeito? Para alguns não. Em alguns parques, oportunistas aproveitaram os momentos de distração para furtar objetos, dinheiro e celulares.


Marcos Roberto Araújo, especialista em segurança do GRUPO GR, comenta que sobre esses crimes pontuais. “Normalmente são menores de idade e pequenos infratores. Mas o problema é que alguns estão de posse de objetos cortantes e podem ferir as pessoas. O ideal nesses locais é levar o mínimo possível e não deixar a mostra bolsas, celulares e objetos que chamem a atenção desses delinquentes”.


O especialista separou algumas dicas de segurança para toda a população se prevenir.


Confira abaixo:



DICAS DE SEGURANÇA DO GRUPO GR EM PARQUES E PASSEIOS


- Evite andar por ruas, calçadões e praças mal iluminadas ou em horário muito avançado, principalmente em locais desconhecidos, pois estes são os pontos preferidos pelos meliantes que se aproveitam das condições para atacar suas vítimas.


- Caso precise pedir informações, procure alguém autorizado ou dirija-se a um balcão de informações.


- Não peça ajuda ou informações para pessoas estranhas, procure se informar sobre o local visitado com gente de confiança (recepção dos hotéis ou dono do imóvel locado) antes de sair.


- Não reaja durante um assalto. Mantenha-se calmo(a), por mais difícil que possa ser.


- Lembre-se de que o assaltante está atrás do dinheiro ou pertence de valor e costuma atirar somente quando fica assustado ou acuado, principalmente diante de uma reação da vítima.


- Nunca demonstre que está procurando um endereço. Bandidos se aproveitam de quem está perdido ou desatento.


- Não use bolsos traseiros para carregar carteira ou dinheiro.


- Previna-se contra a ação dos marginais não ostentando objetos de valor como relógios, joias, pulseiras, celulares, tablets, colares, etc.


- Evite transitar por locais mal iluminados.


- Se sentir que está sendo seguido, entre em algum estabelecimento comercial ou atravesse a rua.


- Não saia com grandes quantias de dinheiro ou cartões de crédito se não houver necessidade.


- Não abra a carteira ou a bolsa na frente de estranhos.


- Cuidado com bolsas ou mochilas transparentes, pois o marginal vai perceber que você leva documentos, dinheiro, aparelho celular, etc.

 

 

 

 

 



 

 

 

POR QUE EDUCAÇÃO FINANCEIRA NÃO FUNCIONA


Nunca se falou tanto em educação financeira. Mesmo assim, o grau de endividamento das famílias segue crescendo. Coach Financeiro Roberto Navarro mostra por que isso acontece e o que temos de fazer para mudar esse cenário.

 


Mais de 60 milhões de brasileiros está inadimplente, de acordo com uma recente pesquisa do Procon, divulgada no último mês de abril. Além de alarmante, esse dado preocupa também por apontar um altíssimo grau de endividamento e inadimplência entre os jovens: quase 20% (pouco mais de 10 milhões de pessoas) desse total de inadimplentes têm entre 18 e 25 anos. Ou seja, a dificuldade de lidar com dinheiro não está concentrada nos chefes de família. Ela é irrestrita e generalizada.


Ainda que já existam algumas iniciativas que visam levar conteúdo de educação financeira para dentro das escolas, o desafio de transformar a maneira com que as pessoas se relacionam com o dinheiro é repleto de armadilhas e passa por questões bem mais complexas, como. “Uma vida de abundância não tem a ver com classe social, mas com crenças. Se você simplesmente acreditar que será milionário, estará muito mais próximo de alcançar esse objetivo do que alguém que estuda em Harvard mas não acredita que pode ser milionário”, diz Roberto Navarro, CEO do Instituto Coaching Financeiro (ICF), mais notável programa de Formação e Educação Financeira com Coaching do país.


É justamente por isso que a chamada “educação financeira tradicional” não dá conta de efetivamente transformar a maneira com que as pessoas lidam com o dinheiro: ela oferece conhecimentos intelectualmente interessantes (embora nem sempre novos), mas não atua na mudança de comportamento, essencial para que alguém endividado possa sair dessa condição e começar a investir dinheiro. “A educação financeira tradicional está baseada em três pilares: gaste menos do que ganha; invista o que sobrar; reinvista os dividendos. Nada disso é novidade. Todo mundo sabe, conscientemente, o que fazer para não se endividar, mas isso não é suficiente. Se fosse, não teríamos tantas pessoas com dificuldades financeiras hoje em dia. Por isso, precisamos trabalhar os comportamentos das pessoas”, explica Navarro.



Inteligência Financeira é o caminho


Para contornar as deficiências dos programas tradicionais de educação financeira, o Instituto Coaching Financeiro aposta no conceito de Inteligência Financeira, que visa ressignificar a maneira com que as pessoas se relacionam com o dinheiro. Na prática, isso significa “atacar” de maneira incisiva as crenças limitadoras que muitos carregam. O desprezo pelos cálculos cotidianos, o consumo desenfreado, o acúmulo desnecessário de bens. Tudo isso é trabalhado para que o caminho rumo ao sucesso financeiro seja aberto e explorado ao máximo.

 

 


Instituto Coaching Financeiro - ICF

http://www.coachfinanceiro.com/.

 

 

 

 

 



 

 

 

 

Um empecilho chamado “imunidade parlamentar”


 

Luiz Carlos Borges da Silveira, ex- Ministro da Saúde, explica porque existem tantas dificuldades para condenar políticos

 

O foro privilegiado é um direito adquirido por algumas autoridades públicas e fazem referência a um julgamento especial e particular quando os mesmos são alvos de processos penais. Tal direito é atribuído aos indivíduos que ocupam cargos de alta responsabilidade pública: Presidente da República, Vice-Presidente, Procurador-Geral da República, Ministro e membros do Congresso Nacional. Segundo a Constituição Brasileira, a investigação e o julgamento das infrações penais das autoridades com esse direito passa a ser competência do Supremo. Porém, para o ex-ministro da Saúde e Deputado Federal, Luiz Carlos Borges da Silveira, esse dispositivo acaba retardando a tramitação dos processos e aplicação das penas e cumprimento das sentenças condenatórias em determinados casos.

 

Segundo Borges da Silveira, um bom exemplo desse empecilho é a própria Operação Lava Jato. “A grande dúvida dos brasileiros quando a operação é justamente isso, por que empresários, executivos e diretores de empresas privadas, assim como da estatal envolvida no escândalo, foram investigados, denunciados e julgados tendo as penas arbitradas e daí levados à prisão, enquanto políticos, alguns com grau de participação semelhante, continuam livres e parlamentares envolvidos exercendo normalmente seus mandatos? O foro privilegiado explica”, comenta.

 

Já no que se refere a imunidade parlamentar, o ex-ministro explica que essa é outra garantia dada aos parlamentares (senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores) para que possam exercer as suas funções sem violações ou abusos, atuando com liberdade e independência no exercício de suas atividades sem o risco de serem processados judicialmente. “Diz-se, com certa razão, que se tornou espécie de salvo-conduto em casos de crime comum. Muitos são exemplos de candidatos que lutam de todas as formas para se eleger e assim conseguir o mandato que lhes resguarda de delitos que não são decorrentes de opiniões, palavras e votos”, completa.

 

 
Para finalizar, Borges da Silveira alerta que só uma mobilização popular é capaz de fazer com que isso acabe. “Pode parecer utópico, mas seria o momento de se aproveitar os bons ventos de moralização e vontade de passar o país a limpo, para fazer essas mudanças. Boa parte dos males vem do foro privilegiado e da imunidade parlamentar, não será um mudança fácil, porém, se nós tivermos essa vontade de mudar, podemos conseguir, ainda que demore algum tempo”, complet


 

 

 



 

 

 

 

Burocracia trava a produção

 

 

 

Empresas de consultoria produzem, periodicamente, relatórios mostrando os principais entraves para a expansão dos negócios em vários países. O levantamento contempla questões como mão de obra qualificada, infraestrutura, custo de financiamento, burocracia, entre outras.

 

No Brasil o item que aparece sempre no topo como entrave para negócios domésticos é a burocracia. Trata-se de um problema interno grave que normalmente fica acima da média observada no resto do mundo.

 

A burocracia é uma praga que contamina o meio empresarial e o maior expoente dessa excrescência reside na área tributária. É impressionante como as regras fiscais proliferam no país. Desde 1988 são criadas em média 45 novas normas por dia. Essa insanidade gera uma estrutura cada vez mais complexa, impossível de ser digerida, ocasionando custos para as empresas e tornando o sistema cada vez mais vulnerável à corrupção.

 

Entender a confusa legislação tributária no Brasil é uma tarefa difícil até para os mais experientes tributaristas. A complexidade tributária no país é uma anomalia cada vez mais resistente. A produção de regras não cessa e torna a vida do contribuinte um inferno. Há uma proliferação absurda de leis, decretos, medidas provisórias, emendas, normas complementares, entre outros instrumentos jurídicos, que acabam impondo pesados custos aos contribuintes, sobretudo às empresas.

 

Um levantamento do Banco Mundial, comparando o tempo que as empresas gastam para apurar tributos em vários países, revela dados impressionantes sobre a situação ridícula da estrutura de impostos brasileira. Uma empresa submetida à legislação tributária no país gasta por ano 2.600 horas com a burocracia nos três níveis de governo, enquanto que a média mundial é de 1.344 horas. No Chile são necessárias 316 horas, na China 872, na Índia 272, na Rússia 448 e na Argentina 615 horas. Essa discrepância absurda é, seguramente, um dos fatores mais significativos para o comprometimento da competitividade da produção no Brasil.

 

O viés burocrático faz da estrutura tributária brasileira um monstrengo cada vez mais horripilante. Um exemplo claro nesse sentido diz respeito a dois impostos: PIS/Cofins e CPMF. O primeiro passou a ter uma parte cobrada sobre o faturamento e outra sobre o valor agregado, gerando uma calamitosa proliferação de procedimentos regulatórios, e o segundo que era simples, transparente, sem custo para o governo ou para o contribuinte e altamente produtivo na arrecadação, foi sumariamente trucidado e extinto a partir de 2008.

 

Na questão tributária o país precisa mudar paradigmas em vez de aprofundar seus defeitos, como a burocracia pública insiste em fazer. O potencial da economia brasileira tem uma dificuldade enorme para ser concretizado, e isso, em boa parte, decorre de uma visão que repele o simples e assimila o complexo.

 

A questão da burocracia e seus efeitos maléficos sobre a produção nacional deve ser um dos focos mais importantes na retomada da reforma tributária. É preciso levar adiante um projeto amplo, não medidas pontuais que pioram a situação atual, que seja capaz de reduzir custos para as empresas e elevar a eficiência sistêmica da atividade produtiva no país.

 

 

 

Marcos Cintra - doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular da Fundação Getulio Vargas. É autor do projeto do Imposto Único. É presidente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

 

 




 

 

 
 

 

Um dia de salário e a causa de nossa crise 


Política é ciência ou arte, ciência e arte disputam seus respectivos reinados e seus princípios são absolutamente distintos. A arte tem a vantagem de ser iluminada pela intuição, pelo imaginário, pode ser instigante, mas concomitantemente incorreta. E a ciência, com suas precauções, não raro é acertadamente vagarosa.  Às coisas simples da vida basta a lanterna da arte, que as organizam e lhes dão sentido e colorido.

 

Num momento excepcionalmente crítico à economia e à política do Brasil, descobre-se uma causa importante de nosso "débâcle", que a Câmara dos Deputados, insuscetível de ser chamada de egrégia, traz à pauta, com um óbvio objetivo: ocultar as verdadeiras causas, plúrimas, remotas e imediatas, de nosso drama atual. 


É o "monstro" do imposto sindical. Registra-se que o monstro frequenta nossas terras desde Getúlio Vargas. É verdade, salvo quanto ao aspecto. Não se trata de nenhum monstro, que penetre qual uma lâmina a vida de nossos compatriotas. Nesse período, tivemos momentos bons e momentos de crise, sem que se identificasse um imposto pago pelas categorias a seus órgãos de representação sindical como o grande causador dos males. 


Intuitivamente se percebe que não deveríamos estar a discutir o imposto sindical. O próprio presidente Temer admitiu que, por ele, esse assunto não estaria pautado. Porém, complementa que pode propor reduzir o desconto a 1/5 ou 1/3 de um dia de salário. 


Isso num país em que os trabalhadores recolhem impostos que superam a casa de 180 dias de salário. Só por aí se verifica que se enganam, ou nos enganam. Que festa faríamos se a proposta fosse de redução do conjunto de impostos! Em 1/1. O Brasil estaria numa alegria inédita, até porque a renúncia fiscal não abalaria a fazenda pública, mas a quantidade de corrupção que corrói nosso país. 


O imposto sindical é um dos poucos que não são imiscuídos no preço dos produtos. É suportado pelos trabalhadores. Repassar a quem, se seu único produto é a força de trabalho, que não se vende na padaria da esquina.  Daí porque nada representar à economia, em nada molestar a sociedade, o tributo monstruoso que escreve as linhas desse mistério medieval ao iluminar a velas a Câmara dos Deputados. 


Nem mesmo prejudica os trabalhadores, quando seus sindicatos são atuantes e resgatam em seu favor muitos direitos que lhes não seriam conferidos pelos marcos legislados. Se as representações são falhas, as assembleias eleitorais das categorias podem corrigi-las. E o fazem, amiúde, com vitórias de oposições. A grande pergunta: em que medida o imposto sindical agrava a saúde da sociedade e justifica esse "monopólio" de debates congressuais? Se for extinto ou reduzido, em que medida a vida de cada um de nós será melhorada? Em nada.  É no que resulta o transporte de um assunto privado (os sindicatos são pessoas jurídicas de direito privado) ao dilema público. 


Se o governo anterior foi aparelhado por sindicalistas (da CUT, braço sindical do PT), não foi o imposto sindical, que é meio de sustentação de todos os demais sistemas confederativos, obviamente, a causa, mas a velha "vontade política" desse segmento que, no poder, atulhou o Estado de "aspones", empregados de confiança, peculiares do Brasil. As democracias avançadas contam com burocracia suprapartidária, concursada, estável e capaz, em ordem a servir a todos os governos; a máquina administrativa não é composta de engrenagem de cabos eleitorais. 


Custa crer que, repentinamente, o colégio congressual, fortemente contaminado por investigações policiais e ações judiciais, transforme-se em defensor de pobres trabalhadores que, num contexto de mais de 180 dias, sofrem o desconto de 1, talvez o único tenha retorno. 


Não se conhecem as causas dos fenômenos em razão de ignorância ou má fé, neste caso para ocultar as causas verdadeiras. Na primeira hipótese, a política é desafiada por conhecimentos científicos. No segundo, a simples intuição, a arte de saber de pronto, nos mostra como podemos ser enganados, para vegetar na mesmice de um país subdesenvolvido. 



 

Amadeu Roberto Garrido de Paula - Advogado e sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados. 

 

 

 

 



 

 

 
 

"CHEGAMOS AQUI ATRAVÉS DO VOTO POPULAR!"


            É o que tenho ouvido de muitos congressistas empenhados em drenar da dignidade do voto algumas gotas de virtude para substituir os hectolitros dessa mesma substância moral que deixaram verter pelo caminho. 


            Como assim, Excelência? Não dá para resgatar a honra do voto popular se ele foi obtido por péssimos meios para ainda piores fins. O que a cada dia fica mais evidente perante os olhos da sociedade brasileira é que um número substancial de mandatos em pleno uso de seu poder de fogo são mandatos usurpados, obtidos fora das regras do jogo e perverteram a representação democrática.


            A questão já foi posta por outros analistas, mas cabe reavivá-la aqui: o que é social e moralmente mais danoso? Fazer uso de dinheiro roubado para robustecer o patrimônio pessoal, ou para perverter a democracia mediante abuso do poder econômico durante a disputa eleitoral? Parece claro que atacar a virtude da disputa política, viciar a representação, corromper o voto popular é muito mais funesto. A certeza se extrai de realidade palpável porque - feitas as muitas devidas, honradas e honrosas exceções -, é impossível negar que tais práticas têm contribuído, de modo crescente, para desqualificar a representação, apetrechando o país  com uma cada vez menos confiável, menos competente e menos esclarecida elite política.


            Converse com antigos servidores de qualquer poder legislativo e ouvirá o testemunho do fato: a cada legislatura decai a qualidade da representação parlamentar, até sermos arrastados às atuais societas sceleris. Depois, observe os resultados dos pleitos presidenciais e me diga se alguma empresa, de capital aberto ou fechado, com acionistas ou proprietários, entregaria seu comando a pessoas como Lula e Dilma Rousseff. No entanto, o Brasil confiou-se a eles em quatro pleitos sucessivos.


            Acompanhei em Porto Alegre, a última eleição da Câmara Municipal e sei o quanto ela, com recursos limitados a pequenas doações pessoais, dependeu principalmente da atividade voluntária de apoiadores e do trabalho diuturno dos candidatos. Bem diferente do que estava habituado a observar, quando, às primeiras horas do início efetivo das campanhas, a cidade amanhecia com suas principais avenidas tomadas por material publicitário de meia dúzia de candidatos.


            Obviamente, a democracia ganha muito mais quando quem tem que buscar voto é a pessoa do candidato, quando é ele que trabalha e não sua máquina eleitoral, formada por legiões de militantes pagos, frotas de veículos e muito recurso sonante para atender demandas de cabos eleitorais espalhados de uma forma que lembra a tomada de território em guerra de ocupação.


            Não venham, então, os que se locupletam com caixa dois, os mercadores de emendas, os que mascateiam favores, os beneficiários de exuberantes e mal havidos fundos partidários, advogar, em benefício dos próprios pescoços, por listas fechadas, abuso de autoridade, anistia de caixa 2. A nação dispensa tais trabalhos! É hora, então, de os bons congressistas se unirem para o expurgo dos maus.

 




Percival Puggina - membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site
www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.